10/05/2018 15:46:24
Diversão e Arte
Documentário sobre a nação indígena Krahô quebra um jejum de sete anos do cinema brasileiro em Cannes
Crédito: Fotos/ DivulgaçãoIhja?c, jovem índio da aldeia Pedra Branca, da tribo Krahô (Tocantins), protagoniza o filme
Da Redação do Alagoas Boreal

O filme “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos”, de João Salaviza e Renée Nader Messora, fará estreia mundial na Seleção Oficial do Festival de Cannes 2018, que começou na terça-feira (8). O longa foi selecionado para a mostra “Un Certain Regard”, que há sete anos não contava com uma produção brasileira e que terá Benício del Toro como presidente do júri.

Rodado ao longo de nove meses na aldeia Pedra Branca (terra Indígena Krahô, no Tocantins), sem equipe técnica e em negativo 16mm, o filme acompanha Ihja?c, um jovem Kraho? que, após um encontro com o espírito do pai, ve?-se obrigado a realizar uma festa de fim de luto”, destacam os produtores do filme em informativo enviado à Redação.

A diretora paulistana Renée Nader Messora conviveu com o povo krahô antes das filmagens

De acordo com a produção de “Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos”, “uma longa relação” de Renée Nader Messora com o povo kraho? precederam as filmagens, iniciadas em 2009. “Desde então”, destaca o press-release, “a diretora trabalha com a comunidade, participando na mobilização do coletivo de cinegrafistas e fotógrafos indígenas Mentuwajê Guardiões da Cultura.”

“O trabalho do grupo é focado numa utilização do audiovisual como instrumento para a autodeterminação e o fortalecimento da identidade cultural. Em 2014, o lisboeta João Salaviza conheceu os krahô e, juntos durante longas estadias na aldeia, começaram a imaginar o que viria a ser o filme”, informam os produtores. A paulistana Renée diz esperar que, “com a seleção do filme em Cannes, abram-se janelas e portas de comunicação onde as infinitas questões indígenas possam ser pensadas”. “Vivemos um momento terrível no Brasil e é urgente que o debate seja ampliado porque os direitos constitucionais dos povos indígenas vêm sistematicamente sendo ameaçados”, afirma a diretora.