09/04/2018 16:24:04
Patrimônios
Descoberta arqueológica ajudará a compreender ocupação humana na Serra da Barriga
Crédito: Fotos/ Iphan-ALArqueólogos em ação: construção de acesso viário ao Quilombo dos Palmares valoriza a região
Da Redação do Alagoas Boreal

Uma descoberta chamou a atenção de arqueólogos numa prospecção realizada em União dos Palmares. A pesquisa que está sendo feita no local onde se erguera, no século 17, o Quilombo dos Palmares. “Durante as prospecções, os pesquisadores se depararam com urna funerária indígena pré-colonial, que deve ter sido enterrada há 900 anos”, destaca o informativo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (o Iphan), afirmando que “o recente regaste arqueológico pode contribuir com novos estudos científicos sobre a ocupação do povo indígena na região da Serra da Barriga no município distante 78 km de Maceió. “Até o momento”, informa o Iphan, “dez urnas foram descobertas pelos profissionais que trabalham no sítio arqueológico, desde da década de 1990.”

A pesquisa empreendida pelo Iphan é uma das etapas do processo de licenciamento ambiental da obra de acesso viário ao Parque Memorial Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga. Segundo o instituto, a construção da estrada é uma das medidas de valorização da região, reconhecida como Patrimônio Cultural do Mercosul no ano passado.

Urna encontrada em sítio arqueológico em União dos Palmares tem 900 anos

“A obra de infraestrutura”, destaca o Iphan, “demanda o resgate e salvamento do sítio arqueológico ali encontrado. As peças descobertas serão protegidas no Centro Arqueológico Palmarino, localizado na Casa Jorge de Lima. Na sequência, passará por análise dos artefatos em laboratório, higienização, registro e guarda.”

A arqueóloga Rute Barbosa diz que, “com o avanço das prospecções do entorno, e estudo desse sítio, será possível compreender melhor a história dessa urna e de toda a ocupação humana ali existente".

A idade da urna será revelada após estudos de datação. Esse material é semelhante a outros ali descobertos, todos com existência estimada de 900 anos.

Os arqueólogos do Iphan atestam que a urna funerária “está associada à tradição dos povos indígenas extintos Aratu”. “A tradição tem como característica a forma piriforme (formato de pera invertida), fechadas, a maioria das vezes, por uma tampa (opérculo coniforme).”

A pesquisa é uma parceria entre o Estado de Alagoas, Prefeitura de União dos Palmares, Universidade Federal de Alagoas, Universidade Federal de Pernambuco, Museu de História Natural e Centro Arqueológico Palmarino.