04/04/2018 10:18:49
Patrimônios
Porto Calvo finalmente se rende a uma vocação histórica (e turística) secular
Crédito: Fotos/ M. Silva/ Prefeitura de Porto CalvoO fortim de areia é uma construção do século 17, usada pelas tropas holandesas
Da Redação do Alagoas Boreal

O site da prefeitura de Porto Calvo, município distante 104 km ao norte da capital, informa estar estudando, junto com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (o Iphan), a possibilidade de transformar o chamado Alto da Força – um dos três platôs que formam a topografia da cidade, onde ali se erguera um forte militar (retratado em pinturas coloniais) e atualmente se encontra o Hospital Municipal São Sebastião –, num vasto museu arqueológico. Com a descoberta do Forte Bass, fortificação de areia construída no Período Holandês, a discussão sobre uma Porto Calvo histórica e turística ganha a cada dia mais adeptos. Os trabalhos de recuperação desse inestimável monumento estão sendo empreendidos pelo Iphan, com recursos do governo federal. Em março, o instituto realizou em Maceió, na Casa do Patrimônio localizada no bairro histórico do Jaraguá, o evento “Discutindo o Forte Bass: História-Arqueologia Restauração”.

Trabalhos de restauração estão sendo empreendidos com recursos do governo federal

“A intenção do órgão federal é transformar o município em um amplo parque arqueológico, incluindo o forte da Ilha do Guedes”, destaca o noticiário do município, informando que, nesse parque, seriam destacados monumentos como o Alto da Força e a igreja matriz de N.S. da Apresentação (datada do século 17). Da mesma forma, fatos históricos como a Batalha da Comandatuba e a Batalha da Mata Redonda seriam demonstrados para apreciação do público em futuras visitações.

Segundo estudo do Iphan, o reduto da Ilha do Guedes é, também, “um provável acampamento de Johannes Lichthard, um almirante neerlandês a serviço da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais”. “A pesquisa – continua o site da prefeitura – contou ainda com a parceria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Arqueolog Pesquisas, além do apoio da Secretaria Municipal de Cultura.”
De acordo com o noticiário, em Porto Calvo, entre os anos de 1645 e 1637, “ocorreram cercos e batalhas que alternaram” a posse do Forte Bass. “Até que a campanha conduzida pelo conde Maurício de Nassau, após batalha decisiva, o conquistou, expulsando as tropas ibero-brasileiras para a Bahia. O estudo do Iphan se iniciou em 2013. No século 17, a região foi cenário de movimentações de tropas, de batalhas e de fortificações durante o embate travado entre holandeses e ibéricos pelo território brasileiro.”

A revelação da existência do fortim de areia na Ilha do Guedes transforma Porto Calvo na “maior referência da Ocupação Holandesa no Brasil”. A superintendência do Iphan, junto com arqueólogos, faz constantes visitas ao local, reforçando a tese de que a cidade da região Norte “é a maior referência do Período Holandês no Brasil”. “Os estudiosos de Arqueologia e História afirmam que o forte da Ilha do Guedes é uma construção holandesa erguida por volta de 1640, no século 17. O arqueólogo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Marcos Albuquerque informa poucos fortes em terra, como esse de Porto Calvo, existem ainda no Brasil, destacando “o bom estado de conservação” do monumento portocalvense.

Arqueólogo Marcos Albuquerque e o secretário da pasta municipal de Educação Melquesedeque Melo em visita às obras

“Não tenho a menor dúvida que esse forte foi usado pelos holandeses. Ele está bem posicionado estrategicamente. Provavelmente essa ilha foi ocupada pela tropa holandesa na fase de ocupação do Brasil. Esse achado não tem apenas ligação com a história de Porto Calvo. Ele tem ligação com o sistema colonial da época, com a história do Brasil, da Holanda, Portugal e Europa”, declarou o estudioso ao site da prefeitura.