06/02/2018 11:22:34
Maceió
'Carnelevarium' reúne obras que refletem sobre o comportamento humano durante o Carnaval
Crédito: Fotos/ DivulgaçãoMun Ganga também está expondo na galeria do Centro Cultural Arte Pajuçara
Paulo César Moreira

O Carnaval é uma festa que apresenta dualidade tanto na origem quanto nas práticas dos foliões no período em que ocorre: de um lado, a fé; do outro, a folia (que, traduzindo do francês, “la folie”, chegamos ao termo “loucura”). Diante dessa contradição entre o religioso e o pagão, o sagrado e o profano, artistas expõem a visão que têm do tema na exposição “Carnelevarium Prazeres da Carne”, no Complexo Cultural Teatro Deodoro, Centro de Maceió. A abertura acontece na quarta-feira (7), às 19h30. A mostra fica em cartaz até 29 de março e pode ser visitada de segunda-feira a sábado, das 8h às 18h, exceto às quartas-feiras, que é das 8h às 20h, e aos domingos e feriados, das 14h às 17h. A entrada é gratuita.

Sob curadoria de Levy Paz, “Carnelevarium” reúne 27 obras, entre esculturas, pinturas, desenhos, fotografias e instalações dos artistas Adriana Jardim, Adriano Arantos, Dênnys Oliveira, Emerson Pereira, Gillopes, João Dionísio, Jorge Vieira, Levy Paz, Lula Nogueira, Manuela Constant, Munganga, Nicolas Elifas, Paulo Caldas, Persivaldo Figueroa e Suel. A mostra abriga, também, o boi Lacrau, compondo a exposição como um elemento decorativo relativo ao tema.

Óleo sobre tela de Gillopes 

Levy Paz, também artista visual, conta que a ideia de ambiguidade surgiu diante da constatação de Carnaval “preceder a Quaresma, que depois encerra esse período religioso na Páscoa”.

“É até engraçado como, em pouco tempo, podemos estar entre o céu e o inferno. Disto criamos a proposta do ‘Carnelevarium’, que significa resguardar a carne para, a partir daí alcançar a glorificação divina”, afirma o curador, explicando que o objetivo da exposição é “mostrar ao público” como o artista lida com essas questões. “Colocando numa única panela a religião, a arte e o que somos, o que fazemos”, pondera Levy, considerando o tema “provocativo”.

A arte primitiva de Lula Nogueira também está em exposição

“É uma reflexão de mundo e de vida em sociedade. Como precisamos usar máscaras, se somos verdadeiramente o que somos, ou é somente na época do Carnaval que deixamos aparecer realmente o que somos e o resto do ano ficamos cobertos de obrigações. A ideia é levantar esses questionamentos, de pôr ou tirar a máscara.”

O curador conta, ainda, que a exposição explora “diversas nuances do carnaval por meio da criatividade dos artistas perante o tema.” Para tanto, Paz adianta que foi sugerido aos artistas que escolhessem “músicas para serem tocadas durante a exposição”. “São músicas carnavalescas para dar o clima e o norte da exposição, fechando o ambiente com o áudio e o tátil”. Sobre a novidade das obras que compõem a exposição, Paz afirma que exceto “uma obra do Lula Nogueira e do Gil Lopes, todos os desenhos, esculturas e pinturas foram produzidas especificamente para esta exposição, para este tema.”