02/02/2018 12:12:06
Diversão e Arte
Retomando a carreira depois de quatro anos, Netinho promete 'um momento maravilhoso' nas prévias de Maceió
Crédito: Hilso Junior/ Click Interativo/ DivulgaçãoNetinho está com a corda toda, prometendo show 'para guardar na memória para todo o sempre'
Jorge Barboza

Depois de complicações com a saúde – o que inclui três AVCs, diversas internações em hospitais e um lapso na carreira de quatro longos anos –, o cantor Netinho está de volta, com o alto astral de sempre e disposição renovada para retomar uma carreira de sucesso iniciada ainda muito jovem. Netinho havia ingressado na faculdade de Engenharia Civil na Universidade Católica de Salvador (BA), quando começou a tocar profissionalmente em bares da capital baiana, fazendo repertório de MPB e bossa nova. Mas logo o Carnaval pegou o artista, direcionando-o à coisa mais rítmica – em outras palavras, à axé music. E as prévias carnavalescas de Maceió, que se iniciam nesta sexta-feira (2), ganham o reforço luxuoso do Carnaval de Netinho, apresentando-se no Camarote Palato (avenida Doutor Antônio Gouveia, Pajuçara, próximo à quadra de esportes), nesse sábado (3). O camarote abre as portas às 10h, com a orquestra Seresteiros da Pitanguinha. Netinho é aguardado para o período da tarde.

A história desse guerreiro com o Carnaval vem de longe. Em 1984, ele desfilava no bloco Beijo de Luiz Caldas, estreando, dois anos depois, no circuito carnavalesco de Salvador, já como cantor da banda Beijo. Aos 22 anos, gravou o primeiro disco com essa galera, dando início a uma vitoriosa trajetória com a banda até se lançar em carreira solo em 1993, quando gravou o álbum “Um Beijo pra Você”.

Fotos/ Cristiane Moura Freire/ Divulgação
Sentiu o clima dos shows atuais de Netinho? Pelo entusiasmo do público, o artista está em plena forma
'Este retorno definitivo aos meus shows, dessa vez sem restrição médica, tem me deixado com a emoção à flor da pele', diz Netinho

Aos 51, depois dos perrengues de internações, Netinho voltou a excursionar pelo país. A turnê “#SomosTodosUm”, que é título da composição homônima, assinada por Netinho e Manno Góes e lançada no segundo semestre do ano passado, traz de volta a vibração axé do artista em sintonia com a house music e outros ritmos da música eletrônica. Ele mesmo chama essa combinação de sonoridades de “ritmo Netinho”. “Olhando a minha discografia, incluídos nela todos os cinco discos com a banda Beijo”, afirma em entrevista ao Alagoas Boreal, “fica evidente que o meu axé sempre foi um axé pop, diferenciado nas timbragens dos instrumentos, nos arranjos e na colocação suave da minha voz.”

Nessa conversa por email, de forma afável e transparente, Netinho fala dessa via-crucis da doença que o tirou do mercado musical, em que atua, também, como produtor. Este é um momento de recomeço. Em suas respostas, dá para sentir a energia que imprimiu ao single “#SomosTodosUm” – em que aborda escolhas de vida como solidariedade e companheirismo e “todos os sentimentos que fazem bem ao coração”. “Viver é arte/ Errar faz parte”, ele canta.

Nessa entrevista sincera e amigável, Netinho deixa passar as emoções desse retorno, com a alegria que promete para o show desse sábado (3) no Camarote Palato. Confira.

Quais os planos para esse show nas nossas prévias carnavalescas?

Netinho – Este retorno definitivo aos meus shows, dessa vez sem nenhuma restrição médica, tem me deixado com a emoção à flor da pele. Cada show tem sido um recomeçar, uma vitória, um passo sempre comemorado por mim com muito orgulho por ter conseguido superar tudo que passei. Como estaremos às vésperas do Carnaval, eu preparei para Maceió um repertório com muitos dos meus sucessos, mais algumas músicas de axé de outros artistas que eu gosto de cantar. Vamos realmente esquentar o clima para o Carnaval com muita música positiva e alegria. Como o palco do camarote é reduzido, não poderei levar meus bailarinos mas teremos, ainda assim, uma apresentação quente e muito aconchegante. Estaremos muito próximos fisicamente de todos que estarão lá. Isso favorecerá cantarmos juntos, brincarmos bastante e compartilharmos muita emoção. Me sinto tão em casa em Maceió que cantarei muito à vontade, de bermuda, boné, camisa e chinelos. Estarei em casa e desejo que todos se sintam assim durante o meu show. Será um momento muito emocionante e feliz.

E a banda, qual é a formação?

A que tenho usado nesse momento: bateria, percussão, guitarra, contrabaixo, teclados e vocais.

'Eu sou um artista que não se preocupa com rótulos, adoro estar em constante mudança'

Em “Beats, Baladas & Balanços”, de 2014, há uma pegada eletrônica (os beats) que é bem forte em #SomosTodosUm”... Suas músicas têm tocado em clubs, boates...? É essa a sua direção?

Eu sou um artista que não se preocupa com rótulos, não gosto de me definir como isso ou aquilo, até porque eu adoro estar em constante mudança dentro do que eu sou e gosto de cantar. Sempre entrarei e sairei de tudo que me der vontade, não me sinto com quaisquer amarras. O CD “Beats, Baladas & Balanços – Manual para Baladas” eu gravei quando já morava no Rio de Janeiro há um ano e ele tem muitas influências do que ouvia lá no Rio, vindas de festas que frequentei nos morros da cidade; dos ensaios de escolas de samba; do convívio com amigos cariocas que fiz, enfim, da ambiência carioca que me cercava. A opção por uma timbragem mais eletrônica foi apenas uma opção do momento, da mesma forma que fiz no quarto disco da banda Beijo, “Badameiro” [1991], gravado há mais de 20 anos. Quanto a “#SomosTodosUm”, ela é muito mais do que uma música minha: é a minha retribuição musical ao fato de eu ter ficado vivo depois de tudo que enfrentei nos últimos anos. É uma música 100% positiva que vai na contramão de tudo que está atualmente sendo executado nas rádios de massa, no mainstream musical do Brasil. É a minha contribuição para elevar a autoestima do brasileiro que anda tão rebaixada, tornando-o distraído, alienado, amante do fútil, comandado. A pegada eletrônica de “#SomosTodosUm” foi uma direção musical do momento em que ela foi gravada. As próximas músicas terão a direção que estiver na minha cabeça no momento das suas gravações. Sempre agi assim.

Mas o axé continua sendo sua grande fonte...

O axé sempre estará em mim mesmo, eu gravando samba, soul, reggae, romântica, morando em Salvador, no Rio de Janeiro, em Londres, o que for. Conheci a música ouvindo música popular e comecei a cantar em barzinhos sempre interpretando bossa nova e a MPB tradicional. Conheci o axé poucos anos depois e me apaixonei por seu balanço e por sua positividade. Nunca gravei um disco só com músicas de axé. Em todos eles existem outros ritmos e não posso mentir sobre isso, pois os discos estão aí e é só os ouvir para se certificar do que estou dizendo. Sou um artista liberto, como já falei, não me prendo a rótulos.

Como está a carreira?

Depois de tudo que passei e desse gap gigantesco de mais de quatro anos fora dos palcos, minha carreira está em momento de reconstrução, de retomada, de dar seguimento ao meu propósito que é levar alegria e positividade para quantos eu puder.

 
Netinho não trará bailarinas 'já que o espaço do camarote é reduzido', mas diz que estará à vontade de bermuda e boné

E o próximo álbum?

Provavelmente começarei a gravá-lo no segundo semestre deste ano. Não tenho pressa, só quero que seja lindo, positivo e com o jeito Netinho de cantar e fazer música.

Lembra a última vez que esteve em Maceió?

Agora você me pegou. Quando adoeci em 2013 e tive três AVCs em uma semana, dois hemorrágicos e um isquêmico, perdi a minha memória recente e uma parte da minha memória de todos os tempos. Muito já voltou, mas ainda não consigo me lembrar de muitas coisas. Não consigo me recordar da última vez que estive cantando em Maceió. Porém, importa para mim que eu estou vivo, cantando, muito feliz, cheio de gratidão e que irei fazer nesse sábado no Camarote Palato, junto com todos que estarão lá, mais um maravilhoso momento positivo, com músicas positivas, para guardarmos na memória para todo o sempre.