29/01/2018 13:09:37
Maceió
Cine debate 'Visibilidade Trans - Meu Corpo é político' acontece no centro da capital
Crédito: Fotos/ ArquivoFilme lançado em 2017 retrata o cotidiano de quatro militantes LGBT, que vivem na periferia de São Paulo
Da Redação do Alagoas Boreal

Em Maceió, nesta segunda-feira (29), acontece o evento “Visibilidade Trans – Meu Corpo é político”. A ação, organizada pela artista visual, pesquisadora e performer Lilian Barbosa, propõe uma discussão sobre a questão de gêneros no Dia da Visibilidade Trans, 29 de janeiro, data criada pelo Ministério da Saúde, em 2004, para reconhecer a dignidade dessa população. Na programação, a exibição, a partir das 13h, do documentário de Alice Riff “Meu Corpo é político”. A sessão gratuita (na Casa dos Conselhos, localizada à rua Augusta, antiga Rua das Arvores, 351, Centro) será seguida de debates, que ocorrerão até as 16h. Trata-se de uma discussão sobre identidades e desconstrução de estereótipos de gêneros, propondo a criação de políticas públicas voltadas para população TQIA+, sigla que abrange os transgêneros, queers (pessoas que não seguem o modelo de heterossexualidade ou do binarismo de gênero), inter-sexuais, assexuais e outros mais. Cininha Freitas, técnica em políticas públicas para a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e travestis), é convidada para o debate juntamente com Lilian Barbosa.

De acordo com Lilian, a importância central do debate é “o acesso à informação”. “A cidade não entende ainda as distinções entre uma pessoa genderqueer e queer. Vivemos numa sociedade heteronormativa e as pessoas compreendem o gênero a partir do binarismo, ou seja, do macho e da fêmea, homem e mulher.”

'Somos singulares ao mesmo tempo que somos plurais. Não tenho gênero", afirma a artista visual Lilian Barbosa

A artista e ativista queer explica que esse movimento busca se afirmar dentro do próprio movimento LGBT. “Nós sofremos quando o assunto é o Dia Nacional da Visibilidade Trans. Somos invisibilizados dentro do movimento LGBT, que ressurge como movimento LGBT Queer+. Em nível nacional, poucas são as instituições que estão falando sobre essas siglas, como TQIA+, por exemplo. Acabamos sendo tratados de forma discriminatória dentro do próprio movimento.”

Lilian afirma que pessoas binárias acabam falando pelos queers. “Os binaristas estão tratando destes temas e querendo legitimar a nossa existência. Ao mesmo tempo em que me afirmo uma pessoa genderqueer, ou seja, uma pessoa não binária – pois não me afirmo como masculino ou feminino, em parcialidade ou totalidade –, eu afirmo que meu gênero é distinto da minha anatomia. Não tenho um gênero estabelecido. Somos singulares ao mesmo tempo que somos plurais. Estamos lutando para sermos aceitos como somos, nem homem nem mulher. No meu caso, a-gênero, ou seja, sem gênero.”