11/01/2018 12:52:16
Cultura
Clube do Jazz volta às origens realizando apresentação especial em Maceió na casa de shows Rex
Crédito: Maceió 40 Graus/ Divulgação/ ArquivoBilly Magno e Geraldo Benson são convidados do Clube do Jazz nesta quinta-feira
Jorge Barboza

O jazz está de volta à casa de shows Rex Jazz Bar. Eis uma boa notícia em tempos de “Maceió Verão 2018”, o estapafúrdio, antidemocrático e antiartístico (e violento) festival de música promovido pela prefeitura. Nesta quinta-feira (11), a trupe do Clube do Jazz, encabeçado pelo mestre Félix Baigon, contrabaixista legendário desta capital tão musical quanto ingrata com os artistas que aqui nasceram ou que para cá acorreram, traz o Rex de volta às origens – o bar é pioneiro numa reafirmação do jazz como estilo que é mesmo vocação de nossos instrumentistas (vide os festivais dos anos 1990). Começa às 21h e o couvert é baratinho: R$ 10. O Rex fica na rua Sá e Albuquerque, 675, bairro do Jaraguá.

A participação de Billy Magno, com história musical em Maceió, mas, atualmente, morando na capital paulista, é motivo já suficiente para o público comparecer em peso. “O Billy é remanescente das bandas MCZ e Power Jazz”, lembra Félix Baigon, afirmando ter com Magno uma “relação musical e afetiva muito forte”. “Além de ser um admirador profundo do seu extraordinário talento”, declara. “O Billy é multiuso. Arranjador, saxofonista, clarinetista, pianista de mão cheia e uma grande figura.”

Jorge Barboza/ Arquivo
Baigon: 'Quando falo em jazz quero dizer música boa; tocamos samba, bossa nova, salsa e standards de jazz'

Mas há outros artistas emblemáticos da música instrumental contemporânea de Maceió convidados para esta noite, entre eles o saxofonista Jailson Brito e o impagável Geraldo Benson, guitarrista de longa trajetória por esses caminhos gloriosos e espinhentos do jazz à alagoana.

Jean Charles Watelet/ Divulgação/ Arquivo
O pãodeaçucarense Billy Magno é instrumentista reconhecido em São Paulo

“Temos o núcleo formado por Jarlandson Araújo na bateria, Lucas Farias no teclado, Jailson Brito no sax alto e Felipe Rodrigues no sax tenor. A ideia desse especial partiu de um telefonema do Billy Magno, que vive em Sampa e viria para cá passar uns dias. Juntamos o útil ao agradável”, explica o incansável Baigon, há décadas (inclusive na capital fluminense) pelejando nessa batalha sonora, alternando o contrabaixo elétrico com um imponente instrumento acústico.

“Precisamos fazer com que o jazz traga público ao Rex. Pelo grande amigo Hélvio [Hélvio Gama, proprietário da casa], o Rex nunca deixaria de ter shows de jazz em seu palco. Isso é uma longa batalha que travamos há anos: provar que o jazz pode ser música para todos os públicos. Agora sem rótulos: quando falamos de jazz queremos dizer música boa. Afinal tocamos samba, bossa nova, salsa, MPB e até os standards de jazz.”

Além de Billy Magno e Geraldo Benson, o baterista Marcius Campelo e o saxofonista Everaldo Borges ilustram, também, esta noite que será o fino da bossa.

“Na próxima edição teremos o Divina Supernova em duo, o Rony e o irmão Beto Ferreira”, antecipa Baigon, informando que o show terá formato “intimista”. “O palco será colocado em frente ao bar, dentro da casa lógico, com as mesas em volta. Não usaremos o palco principal da casa.”