29/12/2017 13:37:56
Maceió
IMA reinstala placas de projeto para manter a praia limpa
Crédito: Fotos/ ArquivoRetirada das placas aconteceu na tarde da terça-feira (26)
Paulo César Moreira

Na tarde da terça-feira (26), uma ação por parte da prefeitura de Maceió retirou placas móveis do projeto "Nossa Praia", implantado há três anos em praias da capital (trechos da Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca) pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas em Alagoas (o IMA). As placas, com sacos plásticos para serem utilizadas por banhistas e, posteriormente, descartados adequadamente, são disponibilizadas no período da alta estação, quando turistas de todo o país e do estrangeiro aportam em Maceió.

Segundo a comunicação do IMA, as placas que informam e sensibilizam banhistas sobre os cuidados com a praia estão sendo adotadas até pelos ambulantes, e pelos bares nessa extensão da orla na capital. “O projeto é muito bem aceito pela população, tem repercutido positivamente entre os usuários das praias, porque colabora com a diminuição da quantidade de lixo, que impacta diretamente o ambiente marinho”, destaca informativo enviado à Redação.

Gustavo Gomes afirma que a ação da prefeitura foi 'um equivoco'

A remoção das placas surpreendeu a equipe do instituto. Segundo nota divulgada entre os veículos de imprensa, não houve “notificação prévia sobre o ato”. “É uma ação baseada num legalismo que só atrapalha o trabalho”, afirma a comunicação.

O diretor-presidente do IMA, Gustavo Lopes, diz que a ação foi “um equívoco”. “Que pode ser reavaliado, em função dos benefícios que o projeto gera para a população", pondera o diretor. "Recebi a informação sobre a remoção por meio de ligações de ambulantes parceiros do projeto e estive no local onde fui informado sobre a ordem da prefeitura de retirada. O projeto tem sido muito bem recebido em todos os municípios costeiros do Estado e, nas últimas horas, diversas prefeituras têm demonstrado interesse de acolher o projeto, afirmam que não entenderam a atitude da prefeitura de Maceió."

Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança Comunitária e Convívio Social, que fez a retirada das placas do IMA, informa que os fiscais de posturas apreenderam as placas por elas estarem instaladas de maneira “irregular”. Mas esclarece que o instituto ambiental já procurou a secretaria, estando, portanto, tomando providências para “reaver o material apreendido e voltar a instalá-los, de maneira regular”.

Secretário Ivon Berto criticou nota do IMA: Foi 'muito agressiva'

O secretário de Convívio Social, Ivon Berto, queixou-se da nota apresentada pelo IMA. "Foi muito agressiva”, diz ele em entrevista ao Alagoas Boreal. "O pessoal fez essa nota talvez por desconhecimento da lei e do processo em si”. “As placas foram colocadas no calçadão da orla marítima próximo às placas que já haviam sido autorizadas em outubro. Fizemos a retirada e mostramos que não havia documentação nenhuma do IMA pertinente a essa solicitação. Mostramos a importância dessa solicitação, porque calculamos, in loco, a distância de lixeiras para evitar que o cidadão coloque o lixo no saco e o descarte no chão. Estamos deliberando a solicitação e a autorização para colocar as placas nos pontos certos, pois, além disso, ainda temos de dar atenção à acessibilidade para os deficientes físicos e visuais”.

Por sua vez, o IMA afirma não ter sido informado da instalação de placas fixas pela prefeitura, nos calçadões da orla, similares as da campanha “Nossa Praia”. O gerente de educação ambiental Pedro Normande lamentou a separação de ações, que podiam ser "partilhadas”. “Ficamos felizes por ver que aprovaram o projeto e decidiram copiar nossa iniciativa, porém, não entendemos o porquê de não poder haver espaço para os dois em uma orla tão procurada, tanto por moradores da capital como por turistas. Não há necessidade de tanta truculência.”

As placas informativas com sacolas biodegradáveis foram recuperadas pela equipe do IMA e recolocadas na manhã desta sexta-feira (29).

Enquanto há disputa pelos órgãos públicos por espaços para conscientização dos banhistas, as águas do mar seguem sendo investigadas pela Polícia Federal desde o início de 2016. As recorrentes “línguas negras” que aparecem nos períodos de chuva na capital, provenientes da falência do sistema de esgotos da cidade, – o que resulta num amontoado de lixo nas faixas de areia das praias –, levou a Companhia de Saneamento de Alagoas (a Casal) e administradoras de condomínios e construtoras a serem alvo de investigação na operação Sauron. A investigou encontrou ligações de esgotos clandestinos apontando os prédios localizados na orla da cidade como principais responsáveis pelas manchas negras nas águas.