06/12/2017 11:11:03
Maceió
'Mundaú Lagoa aberta' é manifestação que reivindica atuação do Estado na orla lagunar
Crédito: Jorge Barboza'Não deixe a lagoa invisível por mais 200 anos', exclama Dyaz em discurso no dia 16 de setembro
Da Redação do Alagoas Boreal

No próximo sábado (9) em Maceió, a partir das 14h, uma grande ocupação dos dois trechos da orla lagunar será realizada, dando continuidade ao movimento “Ocupe a Lagunar”. Simultaneamente, serão promovidas diversas atividades, dentre elas rodas de capoeira, maculelê, oficinas de música e de estêncil, recital de poesia, frevo, rap, apresentações teatrais e musicais, ensaios abertos e, ainda, apresentação de luta olímpica, atividades de skatebord e bike, aferimento de pressão, testes de DSTs e bate-papo sobre saúde. As atividades estão programadas para serem encerradas às 17h, no largo do Papódramo, com discursos, declamações, debates e mais apresentações culturais. Uma estrutura de palco será montada para essa conclusão do cortejo.

A movimentação envolvendo diversos setores da sociedade vem acontecendo, em prol da revitalização da orla lagunar, desde o dia 16 de setembro, quando se comemorou os 200 anos de emancipação política de Alagoas. Ironicamente, dois séculos depois, ações reivindicatórias com a mesma tônica de emancipação tomam conta das regiões menos favorecidas da capital alagoana. Diante das comemorações oficiais por toda cidade (menos na periférica orla da lagoa Mundaú), dos 200 anos de Alagoas, a caminhada anunciada como “Ocupe a Lagunar” foi realizada por ativistas culturais, professores, estudantes, agentes públicos e pessoas das comunidades locais, percorrendo o trecho da orla que vai da Vila Brejal ao Papódramo, no bairro do Trapiche da Barra. Fizeram-se paradas em diversos pontos estratégicos da orla, finalizando as atividades, com poesia e discursos reivindicando uma participação maior do Estado (inclusive com os festejos) naquela região da cidade.

Fotos/ João Erisson/ Cortesia
 As manifestações que estão ocorrendo na orla lagunar chamam atenção para a sujeira às margens da bela e poluída Mundaú

De acordo com um dos organizadores do movimento, o ativista cultural Rogério Dyaz, todas essas atividades servem para fazer “um alinhamento entre as instituições envolvidas para o grande ato do dia 9".

"Uma das metas dessas atividades", explica Dyaz, "é mobilizar para fazer o Natal e Réveillon da orla lagunar. É algo totalmente possível. São apenas cinco quilometros de orla, a iluminação é mais fácil e viável do que mesmo na orla da praia. A escuridão que fica na lagoa em contraste com a orla da praia representa esse esquecimento do Estado para essa área da cidade. O vereador Anivaldo Lobão está nos apoiando nas solicitações para a iluminação da orla.”

No dia 25 de outubro, outra atividade havia acontecido, exigindo do poder público uma política pública para a localidade, organizando as condições de moradia e de trabalho das pessoas que vivem nas redondezas da lagoa Mundaú. Dessa vez, a ocupação da orla foi realizada como festa para as crianças, estas que são as maiores vítimas do descaso do Estado. Instituições sociais que já atuam na beira da lagoa e ativistas culturais se reuniram com o objetivo de unificar os festejos que comemoram o mês das crianças.

25 de outubro foi realizada uma atividade que reuniu instituições sociais atuantes na orla lagunar em comemoração ao mês das crianças

A orla lagunar, região fundamental para o desenvolvimento da gastronomia e economia da cidade, neste ano de comemorações dos 200 anos de Alagoas, aparece como um setor esquecido pelo poder público e pela inclusão social no projeto de cidade. Neste panorama, essas ações são organizadas para chamar a atenção dos gestores públicos e da comunidade.

“A lagoa ficou como depósito de pobres e desempregados. Aqui não tem Estado”, afirmou o historiador Geraldo de Majella, que se fez presente à caminhada do dia 16 de setembro. “O Estado que chega aqui é a polícia e o necrotério. A beleza natural ficou como esgoto da cidade. O plano do governo é para as construtoras, a população fica esquecida”, acentuou.

Uma pauta de dez reivindicações no sentido de revitalização da lagoa já foi entregue a órgãos da prefeitura. O movimento "Ocupe a Lagunar" discute também estratégias para pressionar o poder público municipal e estadual, com o intuito de reparar os danos históricos com os povos da lagoa, investindo-se no desenvolvimento humano, econômico, social e cultural da região.

'A lagoa alimenta a cidade com seu fruto e o trabalhador da lagoa alimenta a cidade com seu trabalho e sua cultura', afirma Rogério Dyaz

Rogério Dyaz faz um apelo à população e aos agentes públicos. “Não deixe a lagoa invisível por mais 200 anos. Nós somos cidadãos, nós não somos subclasse. A lagoa alimenta a cidade com seu fruto, e o trabalhador da lagoa alimenta a cidade com seu trabalho e sua cultura. Precisamos protagonizar nossa história. No 9 de dezembro faremos um dia histórico, singular, fechando a pista com atividades, com apoio da prefeitura e dos órgãos competentes de convívio urbano, para chamar atenção para a vida na orla, onde as pessoas também se divertem, têm sonhos, trabalham, convivem, namoram, brincam, dançam. Aqui há geração de renda, mão de obra. Estamos articulando com os ambulantes que aqui trabalham, artesões, grupos culturais, marisqueiros, pescadores para apresentar toda essa produção proveniente da nossa orla.”