04/10/2017 17:42:22
Cultura
Livro do estreante Geovanne Ursulino reúne 40 poemas
Crédito: Divulgação'A principal contribuição de um escritor é propor uma literatura que aprimore nossa perceção de mundo', diz Ursulino
Paulo César Moreira

Em Maceió, o escritor Geovanne Ursulino lança primeiro livro, “Como num Inferno pra Marinheiros”, nesta quinta-feira (5), às 19h, na 8a Bienal Internacional do Livro de Alagoas, que acontece no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, à rua Celso Piatti, s/n, bairro central do Jaraguá. A obra publicada pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos estará no estande da editora alagoana durante o evento.

O livro reúne 40 poemas. Segundo o autor, “não foram escritos, necessariamente, para compor um livro”. “O poema que deu origem à possibilidade de se pensar num livro foi escrito na Páscoa de 2016 – ‘Emmaus’, que é o poema que abre o livro. A partir dele, é que os poemas anteriores e posteriores a ele se tornaram possível.”

Ursulino tem formação como licenciado em História pela Universidade Federal de Alagoas, atualmente estudando Design na mesma instituição. Além da academia, também divide com quatro companheiros a edição da revista de criação literária “Alagunas” e escreve no blog “Amorfo Poema”.

Arte que ilustra capa do livro publicado pela Imprensa Oficial Graciliano Ramos

O autor explica que “Como num Inferno pra Marinheiros" encerra um trabalho "de experimentação de escrita".

“A busca central desse ciclo foi de criar um solo mínimo, para que se pudesse propor uma perspectiva de criação literária.”

Diz que os poemas do livro "anseiam alcançar seus objetivos de, se não atingir ao menos denúnciar, expor, revelar as nervuras do real". “Um poema não meramente conta uma história ou resgata memórias. Um poema desvenda aquilo que não está vendado, afinal, o mundo aparente, o mundo verdadeiro é apenas um acréscimo mentiroso, já diria Nietzsche na obra ‘Crepúsculo dos Ídolos’.”

Geovanne Ursulino revela uma preocupação de autor estreante. “Estou ansioso por ter meu primeiro livro de estreia lançado numa bienal – e especialmente na bienal do Bicentenário de Alagoas, se é que isso tem algum valor. E estou apreensivo, também, porque agora os poemas tomaram voo.”

Admirador da obra do alagoano Graciliano Ramos (1892-1953), do tcheco Kafka (1883-1924)e do francês Paul Celan (1920-1970), Ursulino tem, ainda, afinidades filosóficas com o holandês Baruch Espinosa (1632-1677) e o alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Outro escritor mais próximo por quem o poeta demonstra grande apreço é o pernambucano Alberto Lins Caldas. “É alguém com quem me identifico profundamente, com a perspectiva que ele tem da literatura. É alguém com quem tive o prazer de conviver por um bom tempo.”

A partir desse misto de referências de alto valor para a cultura ocidental, o escritor fala do pensar literatura como “ferramenta de compreensão do mundo”.

“Quem se dispõe a enveredar por ela tem a função de criar meios para que essa ferramenta esteja cada vez mais aprimorada, refinada e eficaz para a percepção do mundo. Literatura não deve ser entretenimento ou passa tempo.”