26/06/2017 09:23:19
Patrimônios
Enéias Tavares dos Santos, o Picapau, expõe xilogravuras clássicas no Museu Théo Brandão
Crédito: Fotos/ DivulgaçãoA xilogravura do artista deodorense já foi exposta em diversas capitais e também fora do país
Da Redação do Alagoas Boreal

Contemplado com o 12o Prêmio Gustavo Leite, o xilógrafo e cordelista Enéias Tavares do Santos apresenta a exposição “Xilogravura e Poesia”, em cartaz até o dia 30, na pinacoteca do Museu Théo Brandão à avenida Assis Chateaubriand, 1.490, centro da capital.

Atuando desde a década de 1940, Enéias Tavares dos Santos, também conhecido como Picapau, diz que iniciou no ramo depois que viu “um rapaz fazendo carimbos”. “Achei muito interessante”, ele conta. “Comecei também a fazer, mas não sabia que aquilo era xilogravura. Na época, eu usava um pedaço de casca de cajá e uma gilete – a calçada como lixa. Tive duas professoras: a natureza e a necessidade."

À Comunicação do Museu Théo Brandão, o artista revela que, em 1974, havia sido contratado para fazer trabalhos de xilogravura em Sergipe (PE), numa galeria de arte. "Foi quando perguntei o que era xilogravura e somente ali entendi que era o que eu já fazia."

Picapau publicou diversos trabalhos, entre os quais o famoso cordel “O Cavalo Ventania”, lançado em 1953. Vendia esse e outros volumes na antiga Feira do Passarinho, no bairro da Levada, na região central da cidade. Outra obra muito conhecida é “Jangadeiro alagoano”. "Fiz a xilogravura da maior parte dos meus cordéis. Quando os outros cordelistas descobriram que eu fazia esse trabalho passaram a me encomendar a capa dos cordéis."

O cordel de maior sucesso de Enéias Tavares, o Picapau

Nascido em Marechal Deodoro, Enéias Tavares dos Santos morou nos Estados de Sergipe e Bahia, trabalhou como feirante, carvoeiro e, também, como funcionário do Conservatório de Música de Sergipe, em Aracaju. Durante 25 anos, atuou no Museu Théo Brandão, produzindo xilogravura, cordel e pintura sobre o cotidiano de pessoas simples como ele. "Resolvi fazer tudo: vendedor de fruta, de sururu, amolador de tesoura. Comecei a passar para a xilogravura o que eu via na minha vida desde menino."

Ainda como funcionário do museu, aprendeu a fazer cópias de xilogravura. "Eu mesmo fiz a prensa de tirar cópias e fabriquei meus próprios instrumentos de xilogravura", orgulha-se. Os trabalhos de Picapau já foram expostos em cidades e capitais fora do Estado e até em Santiago do Chile. “O cordel de mais sucesso é ‘Carta de Satanás a Roberto Carlos’. A publicação aborda a música ‘Quero que vá tudo pro Inferno, composta por Roberto e Erasmo Carlos”, informa a curadora Hildênia Oliveira

Alguns trabalhos do artista foram publicados em formato de álbum, em Sergipe e em Alagoas. Em 1977, o clássico “Farinhada” foi publicado pelo governo de Sergipe, enquanto os álbuns “Sururu de Alagoas”, “Coqueiro da Praia” e “Coleção folclórica”, entre outros, foram editados pela Universidade Federal de Alagoas. “Uma parte desses álbuns estará à mostra no museu”, destaca o informativo enviado à Redação.

A exposição “Xilogravura e Poesia, a Arte de Enéias Tavares dos Santos” pode ser visitada, gratuitamente, das terças às sextas-feiras, no horário de 9h até as 17h. Para mais informações, ligue (82) 3214 1713 ou 3214 1710.