25/05/2017 14:35:17
Cultura
Killing Surfers lança novo single e comprova que o rock alagoano vai de vento em popa
Crédito: DivulgaçãoO desenho que ilustra a capa do single é de Vinícius Dias
Jorge Barboza

O rock está vivo e é alagoano. Vez ou outra se decreta o fim do rock. Mas o rock se reinventa, sempre – isso é evidente ao longo da História e, bem, se você já se ligou, os roqueiros invadiram a capital alagoana. Maceió, meus amigos, é um celeiro do rock. Tudo coisa fina. O inesquecível Mopho, a nova geração da Necro e da Jude e do Efeito Moral. A galera de Arapiraca. De Murici – Alagoas toda contaminada. E a novidade é que a banda Killing Surfers lançou nessa quarta-feira (24) um single-dobradinha com as músicas “Midinight Ghosts” e “Rebirth”.

Depois de lançar, no ano passado, o EP “You Never cared” (pelo selo criado por Mário Alencar, o único de Alagoas, Crooked Tree Records) e depois de trocar contrabaixista e baterista e estrear este mês ao vivo no primeiro Crooked Fest – realizado pela gravadora no Quintal Cultural –, a banda se mostra madura nessas novas gravações. Quanto à formação, além da dupla de guitarristas – o vocalista, letrista e produtor Mário Alencar e o cara dos riffs hipnóticos viciantes Wilson Victor –, a Killing Surfers conta agora com o compenetrado estiloso contrabaixista Gabriel Araújo e o experiente Rodolfo Lima (do grupo Ximbra) na bateria. Time perfeito: o álbum que vem por aí promete.

Jorge Barboza
Killing Surfers fez primeira apresentação ao vivo no sábado (13), durante festival da Crooked Tree Records, no Quintal Cultural

As letras são em inglês, mas, por assim dizer, de fácil compreensão. “Midinight Ghosts” é como um space rock do Pink Floyd, só que post-punk, ou indie – um ‘lunático no jardim’ a la “Brand Damage” do Floyd 1973: o lado escuro da lua. Isso tudo, os fantasmas de “Midinight Ghosts” e o lunático na sua cabeça de “Brand Damage” (“Você me reorganiza até eu estar são”), provavelmente é uma coincidência, não propriamente uma influência. O fato é que esses personagens estão mesmo na sua/ nossa cabeça. É muito bacana ouvir o som pesadão e melódico da Killing Surfers e viajar nas letras de Mário Alencar. Em inglês, mas fácil de entender...

A segunda faixa é uma canção, “Rebirth”, sobre desejo e paixão. Fala de “traços que podíamos desenhar”. “Não fazemos nossa própria lei/ Mas talvez para tudo na vida/ Haja uma segunda chance”.

A aparente canção triste da Killing Surfers. Triste não: dramática. Começam o disco com Alencar cantando como um atormentado Ian Curtis. É rock pesadão. O vocalista sussurra sobre as bases distorcidas e os riffs acolhedores. Gutural – sexual. E é para dançar loucamente, agitando os braços e acreditando no renascimento. Para se divertir e gostar do amor. E poder amar mais uma vez – até quando deus quiser.

Acesse o single no YouTube. Nessa sexta-feira (26), também disponível nas plataformas Bandcamp, Spotify e Deezer.