23/05/2017 15:49:07
Diversão e Arte
Arielly Oliveira é mistura de hip hop e soul music com letras contra a discriminação racial e de gênero
Crédito: Fotos/ Página FacebookArielly Oliveira, que lançou ano passado o álbum 'Negra Soul', faz pocket show no teatro Deodoro
Da redação do Alagoas Boreal

A cantora de hip hop e soul music Arielly Oliveira se apresenta nesta terça-feira (23), ao lado do DJ Bactéria, na happy hour musical Antropofágico Miscigenado, que acontece todas as terças-feiras, a partir das 17h30, no saguão do teatro Deodoro, no centro da capital. O movimento, que tem apoio da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (a Diteal), é uma realização de um grupo de músicos e ativistas culturais, abrindo a programação com uma série de canções já conhecidas do público. Participam dessa introdução o cantor e compositor Sebage, o contrabaixista Alex Moreira (da banda Jude), o guitarrista Mário Alencar (Killing Surfers) e o cantor, compositor e violonista PC Lamar. O pocket show de Arielly começa às 18h10, ficando o microfone livre, em seguida, para as canjas de músicos que participam desses encontros semanais.

Ano passado, Arielly lançou o primeiro álbum “Negra Soul”, trazendo canções afirmativas sobre o movimento de hip hop na periferia (ela mora no bairro do Benedito Bentes, na parte alta da capital) e sobre questões como racismo e opressão às mulheres. “Eu tinha muito vontade de cantar, desde criança. Entrei em um coral de escola aos 13 anos”, afirma Arielly Oliveira no informativo enviado à Redação. Antes do hip hop e da soul music, Arielly cantava reggae na banda Naturalmente.

Arielly começou fazendo backings na banda de reggae do ex-marido

Com 30 anos, separada e mãe de uma menina de seis anos, Gabriela, conta que não fez faculdade, mas pretende prestar concurso para estudar Biologia. “Ou música, ainda estou em dúvida”. Bem, espera-se que ela continue fazendo rap com a poesia e a personalidade que ela imprime às canções que produz. “Conheci o movimento hip hop quando me casei com o pai da minha filha e comecei a fazer backing vocal para ele. Ele tinha um grupo de reggae chamado Na Humilde. A gente passou cinco anos casados. Quando nos separamos, eu continuei – ele parou, eu nunca parei. Mudei meu estilo, fui me adaptando, fui conhecendo outras vertentes do movimento e tal e outros estilos de música. Aí me apaixonei pelo soul, pelo jazz, e quis trazer isso para o rap, fazer uma mistura.”

Musa do hip hop alagoano, reconhece ser “a única mulher ativa do movimento em Alagoas”. “Mas não me sinto boa”, afirma, com surpreendente modéstia. O disco “Negra Soul” é ótimo e até aqui atingiu três mil e 158 visualizações no YouTube. Nada mal. Mês passado ela se apresentou com muito sucesso na mostra de arte eletrônica, “Paisagem Sonora”, na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

O movimento Antropofágico Miscigenado é uma realização independente. Além da Diteal, apoiam a iniciativa a RádioWeb Maceió, o programa “Vida de Artista” (Rádio Educativa FM/ IZP), a Rádio Quântica e o Café da Linda. Mais informações com Sebage – (82) 99197 5995.

ANTROPOFÁGICO MISCIGENADO – Arielly Oliveira e DJ Bactéria – Terça-feira (23), às 17h30. Não é cobrada entrada – pede-se uma contribuição à urna antropofágica.
TEATRO DEODORO – Rua Barão de Maceió, 375, Centro (Praça Deodoro) – Tel. (82) 3315 5665.