29/04/2017 10:19:20
Patrimônios
Depois de dez anos registrada como 'patrimônio imaterial do Brasil', a arte kusiwa é fortalecida em ato inédito do Iphan
Crédito: Iphan/ DivulgaçãoA arte corporal dos índios wajãpi sai fortalecida com a revalidação do registro
Da Redação do Alagoas Boreal

A arte “kusiwa”, que é a pintura corporal e a arte gráfica dos índios wajãpi, no Estado do Amapá, na região Norte, é o primeiro bem de natureza imaterial a revalidar o título de “Patrimônio Cultural do Brasil”. De acordo com a Comunicação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (o Iphan), “o ato inédito” ocorreu na quinta-feira (27), “por decisão unânime do Conselho Consultivo”, no Distrito Federal. Segundo o Iphan, tal manifestação mantém-se “viva como referência cultural” (para os índios e para o país) depois de dez anos do registro.

A comunidade wajãpi comemorou. "A revalidação valoriza os conhecimentos e expressões gráficas dos wajãpi. O Iphan ajudou muito na formação dos pesquisadores que fizeram muitos livros sobre os conhecimentos do povo para fortalecer o jeito de ver e as práticas wajãpi", afirmou o cacique Kasipirina. Em informativo do instituto enviado à Redação, Kasipirina diz que a arte kusiwa não é apenas indígena.

Arte gráfica dos índios wajãpi: 'Ela é do mundo, dos peixes, das casas e dos outros', diz o cacique Kasipirina

“Ela é do mundo, dos peixes, das casas e dos outros. O plano de salvaguarda é muito importante para fortalecer o conhecimento dos wajãpi. E é através dele que o povo se organizou para fazer planos de trabalho para a gestão da terra e organização social."

O diretor do de “patrimônio imaterial” do Iphan, Hermano Queiroz, destaca a política do patrimônio cultural como “transversal e integrada”. “Não é um processo de competência exclusiva do Iphan. Ao instituto, cabe, principalmente, a articulação entre diversos agentes, tendo por meta primordial a sustentabilidade cultural do bem.”